Perguntam-me não raras vezes:
- "Qual o livro de José Saramago que mais gostaste de ler?"
A resposta que pode ser dada a cada momento:
- "Impossível de dizer... não sei responder, não seria justo para com outros (livros) não nomeados. Mas uma coisa sempre soube. Uma obra de Saramago, enquanto "pseudo ser vivo" ou com "gente dentro" tem que me raptar, prender-me, não me deixar sair de dentro das suas páginas. Fazer de mim um refém, e só me libertar no final da leitura... mesmo ao chegar à última página. Aí, o "Eu" leitor que se mantém refém, liberta-se da "gente que a obra transporta dentro" e segue o seu caminho.
Mas segue um caminho que se faz caminhando, conjuntamente com mais uma família"

Rui Santos

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

"José Saramago Nas suas palavras" edição de Fernando Gómez Aguilera

"A morte é uma coisa lixada […] não só porque nos retira da vida, ou nos empurra brutalmente para fora da vida, que é o mais correto, mas também porque tem muitíssimas vezes outra consequência: uma outra espécie de morte que se chama esquecimento."

"Ninguém empurra a morte, ela está sempre ao lado… Está tão ao lado que não é raro que se lhe toque. E quando se toca, já se sabe, a parte mais fraca é aquela que perde…"
João Céu e Silva, Uma longa viagem com José Saramago, Porto Editora, 2009



Aquisição da edição #4 da revista "Calibán" (2001 - Brasil)


Cláudio Aguiar entrevista José Saramago


Fica o testemunho dos principais assuntos, desta espécie de entrevista a que oportunamente voltarei!

"Imaginação e Estética
Como repensar o passado
Os destinatários da obra literária
As influências herdades
Os anos perdidos
A farsa absurda da desordem
Primeiro viver, depois escrever?"


terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Congresso Internacional “José Saramago: Vinte Anos com o Prémio Nobel” do Professor Carlos Reis (10/12/2017)

Congresso Internacional “José Saramago: Vinte Anos com o Prémio Nobel”
Cumprem-se a 10 de dezembro de 2018 vinte anos sobre a entrega do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago, o único escritor de língua portuguesa a quem, até agora, foi concedido o mais prestigiado de todos os galardões literários. Conforme na altura declarou o secretário da Academia Sueca, o Prémio Nobel assinalou, em José Saramago, a “capacidade de tornar compreensível uma realidade fugidia com parábolas sustentadas pela imaginação, pela compaixão e pela ironia”. A 10 de dezembro de 1998, José Saramago recebia em Estocolmo o Prémio Nobel da Literatura.
Por ocasião das efemérides em causa, terão lugar diversas iniciativas que constituirão também uma oportunidade privilegiada para se reler e estudar a obra saramaguiana, bem como a trajetória cívica e cultural que o seu autor protagonizou, na segunda metade do século XX e nos primeiros anos do século XXI. Reconhecida tanto em Portugal como no estrangeiro, a relevância daquela obra está atestada em dezenas de traduções e em incontáveis estudos, de diferente dimensão e propósito. 
Entende-se, por isso, ser pertinente organizar uma reunião científica com a projeção que as circunstâncias justificam. Assim, terá lugar na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra – uma das muitas universidades que concederam ao escritor o doutoramento honoris causa – o congresso internacional “José Saramago: Vinte Anos com o Prémio Nobel”, a realizar em data a fixar, no período que vai de 8 de outubro a 10 de dezembro de 2018. Nesse congresso e conforme será pormenorizado no respetivo anúncio programático, serão abordadas diversas facetas da obra de José Saramago, em vários géneros literários, bem como em atividades correlatas (por exemplo, a de jornalista), com inquestionável projeção no universo da língua e da literatura portuguesas. 
O congresso internacional “José Saramago: Vinte Anos com o Prémio Nobel” terá organização científica do Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra, incluirá diversas atividades paralelas e contará com o apoio institucional da Universidade de Coimbra, da Faculdade de Letras de Coimbra e da Fundação José Saramago.
(Por favor, partilhe)
Mensagem do Professor Carlos Reis, partilhada via Facebook em 10/12/2017

Outros trabalhos em publicação, aqui

Mais recente trabalho, livro de apoio à leitura da obra "O Ano da Morte de Ricardo Reis"

Capa da edição original (1998) realizado em 1997 na ilha de Lanzarote 


Momento de apresentação da nova edição (2015)

Apresentação da obra do Prof. Carlos Reis "Diálogos com José Saramago" (17/04/2015)

Citador #37 ... da estrutura e coerência do romance, 
em "Diálogos com José Saramago" de Carlos Reis (19/04/2015)

"Diálogos com José Saramago" - Estrutura e capítulos da obra do Prof. Carlos Reis

Outros destaques e apontamentos sobre a intervenção do Professor Carlos



Apresentação pública da "Rota do Memorial do Convento" (FJS - 11/12/2017)




Assinalamos a apresentação do projecto "Rota do Memorial do Convento" iniciativa cultural que pretende através da identificação de lugares e imagens recriadas por José Saramago na obra que dá suporte à iniciativa, promover não só a dinâmica e vida literária do Memorial - já com 35 anos da data da sua publicação -, como identificar o património histórico e arquitectónico que se estende aos três municípios aderentes à iniciativa - Lisboa, Loures e Mafra. 



Pilar del Río, presidenta da Fundação José Saramago na apresentação deste programa a desenvolver em 2018, recordava aquilo que considera o momento que permitiu a José Saramago abraçar este caminho de produção literária, a realização do livro "Viagem a Portugal" (1981). 
Aqui terá sido o momento impulsionador! 


Com a apresentação de mais dados e novidades sobre este circuito literário, iremos aqui dando mais informações e dicas de passagens referentes aos lugares identificados.




"Os outros cristos" a visão de Jesus Cristo na óptica de 4 escritores - de Marino Boeira publicado pelo "Pravda" (18/03/2017)

Recuperação do artigo publicado pelo site "Pravda.ru", de autoria do jornalista e historiador Marino Boeira (18/03/2017) e que pode ser aqui recuperado e consultado,
em http://port.pravda.ru/news/cplp/18-03-2017/42896-a_vida-0/

A vida de um provável agitador social, que teria vivido na Palestina dominada pelos romanos, Jesus Cristo, tem a sua versão oficial contada em quatro evangelhos, e é considerada a única verdadeira pela Igreja Católica.
Outras, narradas por alguns dos mais importantes escritores do mundo moderno, que talvez sejam apenas fantasias, são muito mais interessantes e criativas.
Vamos falar sobre quatro delas e seus autores (Norman Mailler, Nikos Kazantzakis, José Saramago e Gore Vidal), aproveitando a chegada de mais uma Semana da Páscoa, quando novamente vai se falar muito sobre Jesus Cristo

Norman Mailler (1923/ 2007)

É talvez o mais polêmico dos modernos escritores americanos. Crítico do socialismo, do capitalismo americano e do feminismo especialmente, é autor de alguns dos principais romances americanos do século, em obras que misturou fatos reais com sua fértil imaginação, principalmente nas pretensas biografias de Marylin Monroe (73), Lee Oswald (96) e Hitler ( Uma Casa na Floresta/ 2007). Mailler será sempre lembrado pelos seus livros Os Nus e os Mortos, Um Sonho Americano, Os Degraus do Pentágono e a sua visão profana de Cristo em O Evangelho Segundo o Filho, além das suas frases pro vocativas, como estas de um machismo assumido:
"Porque há muito pouco de honra  na vida americana, há uma certa tendência construída para destruir a masculinidade nos homens americanos'.
'A revolução feminista transformou a mulher num tipo de homem que me aborrecia muito quando eu era jovem: alguém que tinha que trabalhar das nove até as cinco, de uma maneira monótona e sem ser dono do seu destino. Foi assim que terminou essa revolução e esse assalto ao poder".
O Evangelho Segundo o Filho é considerada uma obra menor na carreira de Norman Mailler, mas nem por isso destituída de interesse. A ironia do autor está sempre presente ao descrever um Jesus Cristo humano e atrapalhado, como no famoso episódio da transformação de água em vinho, quando é repreendido pelo anjo por gastar milagres à toa: "Assim como um barril transbordante de mel pode ser esvaziado, o Filho tolo desperdiça seu estoque de milagres".


Nikos Kazantzakis (1883/1957) 
É considerado o mais importante escritor grego moderno e se tornou famoso no mundo inteiro quando seu livro Zorba, o Grego, foi levado para o cinema, em 1964, por Michael Cacoyannis, com Anthony Quinn, no papel de Zorba e com uma trilha musical de Mikis Theodorakis, quase tão lembrada quanto o fi lme. A versão de Kazantzakis para a história bíblica se chama O Cristo Recrucificado e tem um sentido intencionalmente político.
Na pequena aldeia grega de Licovrissi,dominada pelos turcos, a reconstituição do julgamento e condenação de Cristo durante a Semana Santa, realizada a cada sete anos, é uma oportunidade para denunciar os turcos usurpadores como os novos romanos e os sacerdotes ortodoxos gregos como traidores da causa nacionalista. Quem faz essa denúncia é Manolios, um agricultor inculto, que incorpora a figura do Cristo. O livro também foi levado ao cinema num filme memorável de Jules Dassin, chamado Aquele que Deve Morrer, com Pierre Vanneck (Manolios/Cristo), Melina Mercouri (Katerine/Maria Madalena) e Jean Ser vais (Pope/ o Padre).
Kazantzakis tem ainda outro livro onde aborda de uma maneira totalmente contrária aos evangelhos, a história de Cristo. O livro se chama A Última Tentação de Cristo e também virou filme em 1988, direção de Martin Scorsese, com Willen Dafoe (Cristo), Harwey Keitel (Judas) e David Bowe (Pôncio Pilatos).
Na história de Kazantzakis, aconselhado por um anjo, Jesus desce da cruz e reencontra Maria Madalena. Um tempo depois, após a morte de Maria Madalena, se casa com Marta, passando a viver como um homem comum, até o dia que encontra Paulo que pregava sobre o Messias e seu sacrifício. Jesus desmente essas afirmações, mas Paulo diz que seguirá pregando de qualquer maneira. No final, Jesus vive suas últimas horas, momento em q ue os antigos apóstolos voltam e o recriminam por não ter consumado sua paixão. Quando Jesus tenta explicar que foi um anjo que lhe deu esse conselho, os apóstolos reconhecem o diabo no suposto anjo. Jesus se levanta do leito e volta ao Calvário para consumar seu sacrifício.
Para Kazantzakis, "um homem de verdade é aquele que resiste, que luta e que não tem medo de dizer não, nem mesmo que seja para Deus, quando isso é necessário".

José Saramago (1922/2010)
O grande escritor português, José Saramago ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1998 e será sempre lembrado por ter escrito, em seu estilo inconfundível, obras primas da literatura portuguesa como Ensaio Sobre a Cegueira, Ensaio Sobre a Lucidez, Todos os Nomes, o Homem Duplicado e a Caverna, mas foi com O Evangelho Segundo Jesus Cristo, que ele recebeu os maiores elogios dos seus admiradores e as críticas mais pesadas da tradicional igreja católica portuguesa,ao recriar um Cristo humano e preocupado com as questões sociais dos trabalhadores historicamente injustiçados.
Fiel às suas posições políticas de esquerda, Saramago viveu longe de Portugal, nas Ilhas Canárias, seus últimos anos de vida.
No seu Evangelho, Saramago não poupa críticas à religião estabelecida: "No fundo, o problema não é um Deus que não existe, mas a religião que o proclama. Denuncio as religiões, todas as religiões, por nocivas à Humanidade", ao mesmo tempo em que faz uma releitura dos valores do mau ladrão da versão bíblica: "um homem muito reto, a quem sobrou consciência para não fingir acreditar, a coberto de leis divinas e humanas, que um minuto de arrependimento basta para resgatar uma vida inteira de maldade ou uma simples hora de fraqueza".   

Gore Vidal (1925/2012)
Gore Vidal foi um dos maiores escritores americanos. Filho da nobreza política da Costa Leste dos Estados Unidos, escandalizou o mundo literário americano com seu livro A Cidade e o Pilar, de 1948, quando abordou abertamente a questão da homossexualidade.
Sua obra, no final da vida, se concentrou na história da antiguidade greco-romana (Criação e Juliano) e na história americana (Burn. Washington DC, O Império e Lincoln) contadas em forma de grandes romances. 
Gore Vidal era um apaixonado pelo cinema, o que levou a ser o roteirista de alguns filmes, inclusive do célebre Ben Hur, de Willian Wyller, no qual ele disse ter inserido um subtexto gay nas relações de Ben Hur com o legionário Massala. O engraçado é que Charlton Heston (Bem Hur) que sempre defendeu posições conservadoras, sendo inclusive presidente da National Rifle Association, disse que nunca percebeu a intenção de Gore Vidal.
Numa obra menor, Ao Vivo, do Calvário, ele usou toda sua ironia para modernizar a história da crucificação do Cristo.
Num determinado momento, a tecnologia para viajar ao passado está sob o domínio das grandes corporações como a General Eletric e das redes de TV dos Estados Unidos. 
Uma delas consegue os direitos de transmitir ao vivo a crucificação de Cristo. 
A novela relata o desenrolar desse programa levado ao ar diretamente para milhões de lares americanos. 
Sobre religião, disse uma vez Gore Vidal: "A idéia de uma boa sociedade é algo que não precisa ser sustentado com religião e punição eterna. Você só precisa de religião se tiver medo de morrer."

Mailler, Kazantzakis, Saramago e Gore Vidal, com suas visões sobre o Cristo podem ser assuntos interessantes para se discutir agora que se aproxima outra Semana Santa.

Marino Boeira é jornalista, formado em História pela UFRGS"

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

"José Saramago Nas suas palavras" edição de Fernando Gómez Aguilera

"Considero-me um escritor realista mas não um romancista realista. O romance é um lugar literário onde tudo pode e deve caber. O romance é a expressão total.
Aspiraria a que ele fosse uma espécie de suma, reunião de todos os géneros, lugar de sabedoria. Nele estão a epopeia, o teatro, a reflexão filosófica ou filosofante… Esta é a minha ambição. Está fora de questão discutir agora se o consigo ou não, mas é a isso que eu aspiro. E é por isso que o narrador nos meus romances tem um papel todo poderoso."

“O cerco a José Saramago”, Expresso, Lisboa, 22 de abril de 1989 [Entrevista a Clara Ferreira Alves].

"Literary Rebellion Images of Nobel Prize Laureates in Literature. An exhibition by Kim Manresa and Xavi Ayén."

"José Saramago Photo: Kim Manresa"

Nobel Museum, Stortorget 2, Gamla stan
23 September 2017 – September 2018

"What is a literary rebellion? Can literature change the world? To read and write is a slow pursuit, and often a solitary one. Still reading and writing are often seen as something threatening. Texts have been censored and banned, authors have been threatened, persecuted and even imprisoned for what they write.

In the photo exhibition Literary Rebellion, twelve Nobel Laureates in Literature are depcited in the Spanish photographer Kim Manresa’s gripping and beautiful images. The authors have in different ways used their writing as a way to question, create change and make resistance. Through their literature, they have in different ways worked to create and maintain spaces for the free word.

In the exhibit we ask ourselves how the power of literature to change the world can be expressed in individual authorships, and show examples of authors that have been noted for their ability to jolt their readers. Their ways of writing and acting as authors have had different consequences depending on their societies; some have been forced to write from exile.

Some examples are seemingly more obvious, like Svetlana Alexievich or Herta Müller, but others are more harmless at a first glance. The everyday and sometimes humourous poetry of Wisława Szymborskas can appear far from resistance and rebellion, but expresses an ideal of freedom that fends away totalitarian ideologies.

The photographer Kim Manresa is based in Barcelona and works in a documentary style with a strong social commitment. In his reports he often follows people that fight for themselves or for others. For more than a decade, Manresa has together with the journalist Xavi Ayén interviewed Nobel Laureates in Literature about their social egagement, which resulted in the book Rebeldía de Nobel. These stories make the basis for this exhibition.

The exhibition is produced in cooperation with curator Miguel Angel Invarato. All images are © Kim Manresa.

The Nobel Laureates in Literature whose authorships are highlighted in the exhibition are (in parenthesis the year in which they were awarded): Svetlana Alexievich (2015) Dario Fo (1997) Nadine Gordimer (1991) Imre Kertész (2002) Doris Lessing (2007) Toni Morrison (1993) Herta Müller (2009) Orhan Pamuk (2006) Kenzaburo Oe (1994) José Saramago (1998) Wole Soyinka (1986) Wisława Szymborska (1996)."

sábado, 9 de dezembro de 2017

Apresentação Pública da "Rota do Memorial do Convento" apresentação pública na Fundação José Saramago (11/12)


Informação via Fundação José Saramago aqui
em https://www.josesaramago.org/11-12-apresentacao-publica-da-rota-do-memorial-do-convento/

"Na segunda-feira (11), às 11h30, na sede da Fundação José Saramago, será apresentada a Rota do Memorial do Convento, iniciativa conjunta das Câmaras Municipais de Lisboa, Loures e Mafra. A criação desta rota tem como objetivo “valorizar a notoriedade e a atratividade dos recursos patrimoniais e culturais dos concelhos e dos sítios onde os monumentos históricos e arquitetónicos classificados se localizam” e “criar uma oferta de novos nichos de turismo de cultura, com enfoque na componente literária”.

A apresentação da Rota está inserida na comemoração dos 19 anos da entrega do Prémio Nobel de Literatura a José Saramago."
Via "Observador", aqui
"O romance “Memorial do Convento”, de José Saramago, publicado em 1982, inspira uma rota cultural a estabelecer por Lisboa, Loures e Mafra, “resgatando importantes elementos do património religioso, estético e turístico”, anunciou a organização.

“Pela primeira vez em Portugal, um livro dá origem a uma rota cultural, abarcando três municípios”, afirma a organização, em comunicado enviado à agência Lusa, referindo que este itinerário literário envolve as personagens do romance, nomeadamente os protagonistas, Blimunda e Baltasar, “o sonho utópico de voar de Bartolomeu de Gusmão e a devoção à música de Domenico Scarlatti, fazendo o passado histórico ganhar vida no presente”.

A Rota Memorial do Convento segue a narrativa de Saramago, que se torna um “ponto literário aglutinador de momentos e monumentos históricos e paisagísticos do século XVIII, entre Lisboa e Mafra, passando por Loures”, unindo “pontos de interesse patrimonial situados em Sacavém, Santo António dos Cavaleiros, Unhos, Santo Antão do Tojal, Fanhões, Malveira, Mafra e Cheleiros”.

O percurso, assinala a organização, cruza a rota da pedra e a dos materiais estéticos e religiosos de Lisboa para o Convento de Mafra, assinalando outros pontos históricos dos três concelhos, como o miradouro sobre o rio Trancão, o Palácio dos Arcebispos, em Santo Antão do Tojal, a igreja de Alcainça e o seu portal gótico, ou o passado histórico de Cheleiros, cuja produção vinícola foi famosa até ao século XIX.

A criação da rota celebra os 35 anos da publicação do “Memorial do Convento”, um “romance que revolucionou a literatura portuguesa” na época (1982), e homenageia José Saramago, único escritor de Língua Portuguesa distinguido com o Prémio Nobel da Literatura (1998).

A Rota do Memorial do Convento é apresentada como “um projeto intermunicipal”, envolvendo Lisboa, Loures e Mafra, em que um dos parceiros estratégicos é a Fundação José Saramago. O projeto enquadra-se no Programa Operacional Regional de Lisboa 2014/2020, tendo um financiamento total de 392.397,20 euros, parcelado pelos três municípios: Lisboa, com a contribuição mais baixa, 41.272,94 euros, Loures, com 179.592,69 euros, e Mafra, com 171.531,57 euros.

A Rota segue através de bens imóveis classificados, da Praça do Comércio à Casa dos Bicos/Fundação José Saramago, em Lisboa, passa pelo Palácio dos Arcebispos, em Santo Antão do Tojal, no concelho de Loures, e pelo Palácio e Convento de Mafra.

O percurso previsto é o seguinte: em Lisboa, praça da Figueira e praça do Comércio, Casa dos Bicos, na rua dos Bacalhoeiros.

Em Loures, passa pela Biblioteca Municipal Ary dos Santos, onde está instalado um ponto de informação sobre a rota, pelo Miradouro sobre o Rio Trancão, em Sacavém, a Igreja de Unhos, o Centro de Acolhimento da Rota Memorial do Convento, no Museu Municipal de Loures, a Quinta do Conventinho, em Santo António dos Cavaleiros, o Centro de Acolhimento Turístico e Interpretativo da Rota Memorial do Convento, na Biblioteca Municipal José Saramago, na cidade de Loures, a praça Monumental, em Santo Antão do Tojal, e os largos do Coreto, em Fanhões, da Feira, na Malveira, e a Igreja de São Miguel, em Alcainça.

Em Mafra, a rota abarca a capela do Espírito Santo, Palácio Nacional, Miradouro de Vila da Velha, antigas Casas da Câmara e Pelourinho de Mafra e, finalmente, em Cheleiros, o largo da Igreja Matriz.

O estabelecimento da Rota prevê, com a coordenação do escritor Miguel Real, a produção de conteúdos de interpretação em suporte digital, multimédia (‘website’ e aplicativo móvel, ‘APP’) e, em papel, ações de ‘marketing’ turístico-cultural, realização de eventos de caráter internacional e diversas iniciativas de divulgação e promoção de índole técnico-científica.

Está previsto a colocação de sinalética explicativa nos pontos de interesse nos três concelhos, bem como o desenvolvimento de “cinco ações, dirigidas a diferentes tipos de público”, para a divulgação da Rota, designadamente no Congresso Internacional sobre a Obra de Saramago e no Festival Internacional de Música Barroca.

O itinerário pode começar ou terminar na Casa dos Bicos, sede da Fundação José Saramago, em frente à qual foi plantada a oliveira trazida de Azinhaga do Ribatejo, terra natal do escritor, cujas raízes acolhem as suas cinzas.

A rota terá uma apresentação pública, na segunda-feira, na Fundação José Saramago, em Lisboa."

"Saramago pide cerrar todos los zoológicos del mundo" Palavras de José Saramago recordadas e recuperadas por César-Javier Palacios no blog "La crónica verde" (12/03/2009)

Palavras sob a forma de manifesto contra todas as formas de tortura animal.
Na época natalícia sempre voltam os circos e outros espectáculos de disfarçado entretenimento, mas que em si encerram práticas de maus tratos; terror; cárcere em condições de tortura e demais agressões infligidas aos animais.
Nesta data importa recordar as palavras de José Saramago 

"Saramago pide cerrar todos los zoológicos del mundo" 
Palavras de José Saramago recordadas e recuperadas por César-Javier Palacios no blog "La crónica verde", 12/03/2009

Aqui, 
em https://blogs.20minutos.es/cronicaverde/2009/03/12/saramago-pide-cerrar-todos-zoolaigicos-del-mundo/

"Otra vez el genial José Saramago, Premio Nobel de Literatura en 1998, vuelve a golpear en nuestras conciencias, soñando claro y fuerte con un mundo mejor al que se enfrenta tan sólo armado por la razón. Un mundo de respeto, más justo con las personas, pero también con los animales, el paisaje y todo lo que nos rodea.

Su último aldabonazo es en contra de los zoológicos y los espectáculos de circo con animales. Lo hace para defender algo tan aparentemente anecdótico como la vida de Susi, la pobre elefanta deprimida del zoológico de Barcelona de la que ya os hablé la semana pasada.

Os pongo a continuación el principio de su artículo Susi, publicado el paso 19 de febrero en su muy recomendable blog personal El cuaderno de Saramago, una dura crítica a estos centros de reclusión de animales que deberían cerrarse cuanto antes. Gracias maestro."

"Si yo pudiera, cerraría todos los zoológicos del mundo. Si yo pudiera, prohibiría la utilización de animales en los espectáculos de circo. No debo ser el único que piensa así, pero me arriesgo a recibir la protesta, la indignación, la ira de la mayoría a los que les encanta ver animales detrás de verjas o en espacios donde apenas pueden moverse como les pide su naturaleza. Esto en lo que tiene que ver con los zoológicos. Más deprimentes que esos parques, son los espectáculos de circo que consiguen la proeza de hacer ridículos los patéticos perros vestidos con faldas, las focas aplaudiendo con las aletas, los caballos empenachados, los macacos en bicicleta, los leones saltando arcos, las mulas entrenadas para perseguir figurantes vestidos de negro, los elefantes haciendo equilibrio sobre esferas de metal móviles. Que es divertido, a los niños les encanta, dicen los padres, quienes, para completa educación de sus vástagos, deberían llevarlos también a las sesiones de entrenamiento (¿o de tortura?) suportadas hasta la agonía por los pobres animales, víctimas inermes de la crueldad humana. Los padres también dicen que las visitas al zoológico son altamente instructivas. Tal vez lo hayan sido en el pasado, e incluso así lo dudo, pero hoy, gracias a los innúmeros documentales sobre la vida animal que las televisiones pasan a todas horas, si es educación lo que se pretende, ahí está a la espera."


Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

"Susi"
"Pudesse eu, e fecharia todos os zoológicos do mundo. Pudesse eu, e proibiria a utilização de animais nos espectáculos de circo. Não devo ser o único a pensar assim, mas arrisco o protesto, a indignação, a ira da maioria a quem encanta ver animais atrás de grades ou em espaços onde mal podem mover-se como lhes pede a sua natureza. Isto no que toca aos zoológicos. Mais deprimentes do que esses parques, só os espectáculos de circo que conseguem a proeza de tornar ridículos os patéticos cães vestidos de saias, as focas a bater palmas com as barbatanas, os cavalos empenachados, os macacos de bicicleta, os leões saltando arcos, as mulas treinadas para perseguir figurantes vestidos de preto, os elefantes mal equilibrados em esferas de metal móveis. Que é divertido, as crianças adoram, dizem os pais, os quais, para completa educação dos seus rebentos, deveriam levá-los também às sessões de treino (ou de tortura?) suportadas até à agonia pelos pobres animais, vítimas inermes da crueldade humana. Os pais também dizem que as visitas ao zoológico são altamente instrutivas. Talvez o tivessem sido no passado, e ainda assim duvido, mas hoje, graças aos inúmeros documentários sobre a vida animal que as televisões passam a toda a hora, se é educação que se pretende, ela aí está à espera."


"Perguntar-se-á a que propósito vem isto, e eu respondo já. No zoológico de Barcelona há uma elefanta solitária que está morrendo de pena e das enfermidades, principalmente infecções intestinais, que mais cedo ou mais tarde atacam os animais privados de liberdade. A pena que sofre, não é difícil imaginar, é consequência da recente morte de uma outra elefanta que com a Susi (este é o nome que puseram à triste abandonada) partilhava num mais do que reduzido espaço. O chão que ela pisa é de cimento, o pior para as sensíveis patas deste animais que talvez ainda tenham na memória a macieza do solo das savanas africanas. Eu sei que o mundo tem problemas mais graves que estar agora a preocupar-se com o bem-estar de uma elefanta, mas a boa reputação de que goza Barcelona comporta obrigações, e esta, ainda que possa parecer um exagero meu, é uma delas. Cuidar de Susi, dar-lhe um fim de vida mais digno que ver-se acantonada num espaço reduzidíssimo e ter de pisar esse chão do inferno que para ela é o cimento. A quem devo apelar? À direcção do zoológico? À Câmara? À Generalitat?
P. S.: Deixo aqui uma fotografia. Tal como em Barcelona há grupos – obrigado - que têm pena de Susi, na Austrália também um ser humano se compadeceu de um marsupial vitimado pelos últimos incêndios. A fotografia não pode ser mais emocionante."

Publicado no blog "Outros Cadernos de Saramago", dia 19/02/2009 
e no livro que compila todas as publicações 







quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

"Caim"

(...) "Quem tu és, perguntou Caim, Cuidado, rapaz, se me perguntas quem sou estarás a reconhecer o meu direito a querer saber quem és, Nada me obrigará a dizê-lo, Vais entrar nesta cidade, vais ficar por aqui, mais cedo ou mais tarde tudo se saberá, Só quando tenha de ser e não por mim, Diz-me, ao menos, como te chamas, Abel é o meu nome, disse Caim." (...)
Caim, página 49
Caminho, 2009

domingo, 3 de dezembro de 2017

"Meditação sobre uma jangada" Texto de José Saramago publicado no jornal "Libération"

O texto pode ser recuperado e consultado na edição #55 da revista digital "Blimunda" de Dezembro de 2016, aqui em https://www.josesaramago.org/blimunda-55-dezembro-2016/

"Meditação sobre uma jangada"

"Algumas vezes este romancista, confundido nas malhas da ficção que ia tecendo, chegou a imaginar-se transportado na fantástica jangada de pedra em que transformara a Península Ibérica, flutuando sobre o mar atlântico, a caminho do Sul e da utopia. A peculiaridade da alegoria era transparente: embora prolongando algumas semelhanças com os motivos do mais comum dos emigrantes, que parte para outras terras e busca a vida, prevalecia, neste caso, uma diferença assaz substancial, a de também comigo viajarem, em tão inaudita migração, o meu próprio País, todo ele, e, sem que aos espanhóis tivesse pedido antes a devida licença, portanto sem procuração nem autorização, a Espanha. Ora, embalado nestas minhas imaginações, notava eu que nelas não entrava qualquer sentimento de pesar, de tristeza, de aflição mais ou menos pânica, nem sequer, para tudo dizer na inevitável e tópica palavra portuguesa – saudade. Compreender-se-á já porquê. É certo que, e pelos vistos irremediavelmente, me ia afastando da Europa, mas os tecidos vitais da barca imensa que me levava continuavam a alimentar as raízes da minha identidade mais profunda e da minha pertença colectiva: logo, não encontrava em mim razões para chorar um bem perdido, se realmente assim podia ser designado o que antes ganho não tinha sido, mesmo tendo tão pouco de bem.
Para não cairmos nos cansados braços da banalidade e da redundância não nos tentaremos a repetir aqui o catálogo longuíssimo das maravilhas europeias, desde os gregos e os latinos até aos felizes dias de hoje. Por demais sabemos que a Europa foi madre ubérrima de culturas, farol inapagável de civilização, lugar onde, com o passar do tempo, haveria de instituir-se o modelo humano que, seguramente, mais próximo está do projecto que Deus tinha em mente quando colocou no paraíso o primeiro exemplar da espécie. Pelo menos, é desta maneira idealizada que os europeus costumam ver-se no espelho de si mesmos, e essa é a servil resposta que a si mesmos invariavelmente vêm dando: «Sou eu o que de mais belo, de mais inteligente e de mais culto a Terra produziu até hoje.» Dito o que seria a altura de começar a redigir a decerto não menos longa acta dos desastres e horrores europeus, que acabaria por levar-nos à conclusão deprimente de que a famosa batalha que celeste, afinal, não foi ganha por Jeová mas por Lucifer, e que o único habitante do paraíso teria sido a serpente, encarnação tangível do mal e seu emblema gráfico, que não precisou de macho, ou de fêmea, se macho era, para proliferar em número e qualidade. Não faremos pois a acta, como não fizemos o catálogo. Antes cobriremos piedosamente o espelho para que não venha a ser pronunciada, sequer, a primeira palavra da resposta. 
E agora basta de escatologias e ficções. De um ponto de vista ético abstracto, a Europa não tem mais culpas no cartório da história que outra qualquer parte do mundo onde, hoje e ontem, por todos os meios, se tenham disputado o poder e a hegemonia. Mas a ética, exercendo-se, como no-lo está dizendo o senso comum, sobre o concreto social, é porventura a menos abstracta de todas as coisas que, ainda que variável no tempo e no espaço, permanece como uma presença calada e rigorosa que, com o seu olhar fixo, nos pede contas todos os dias. Suponho que estamos vivendo o tempo em que a
Europa deveria apresentar a juízo o balanço da sua gestão, se não pretende prolongar, com o requinte de processos que os modernos meios de comunicação de massa permitem, o seu pecado ou vício maior, que é a existência de duas Europas, a central e a periférica, mais o consequente lastro histórico de injustiças, discriminações e ressentimentos. Já não falo das guerras, das invasões, dos genocídios, das eliminações selectivas, falo sim da ofensa grosseira que é, além dessa espécie de deformação congénita denominada eurocentrismo, aquele outro comportamento aberrante que consiste em ser a Europa, por assim dizer, eurocêntrica em relação a si mesma. Para os estados europeus ricos e, segundo a opinião narcísica em que se comprazem, culturalmente superiores, o resto da Europa é algo vago e difuso, um pouco exótico, um pouco pitoresco, merecedor, quando muito, da atenção da antropologia e da arqueologia, mas onde, apesar de tudo, contando com as adequadas colaborações locais, ainda se podem fazer alguns bons negócios. Ora, não haverá no futuro próximo uma nova Europa se esta não instituir frontalmente como entidade moral, e também não a haverá se não for abolido, mais do que os egoísmos nacionais, que quantas vezes não passam de meros reflexos defensivos, o preconceito da prevalência ou da subordinação das culturas. Tenho obviamente presente a importância dos factores económicos, militares e políticos na formação das estratégias continentais e seu enquadramento nas geoestratégias globais, mas, sendo por fortuna ou desfortuna homem de livros e de letras, considero meu urgente dever lembrar que as hegemonias culturais de hoje resultam, fundamentalmente, de um processo duplo e cumulativo de evidenciação do próprio e de ocultação do alheio que teve a habilidade de impor-se como inelutável, favorecido, quase sempre, pela resignação, quando não pela cumplicidade das próprias vítimas. Nenhum país, por mais rico e poderoso que seja, deveria arrogar-se uma voz mais alta. E, já que de culturas venho falando, também nenhum país ou grupo de países, tratado ou pacto, deveria propor-se como mentor ou guia dos restantes. As culturas, é tempo de começar a entendê-lo Europa, e entendida tente ficar de uma vez para sempre, não são melhores nem piores umas que as outras, não são mais ricas nem mais pobres. Pelo destino, valem-se e equivalem-se, e pela diferença, assumida e aprofundada, é que se justificam. Não há, e esperemos que não venha a haver nunca, uma cultura una e universal. A Terra, sim, é única, mas o ser humano não o é. Cada cultura criada pelos homens deverá ser, em si mesma, um universo comunicante: o espaço que as separa umas das outras é o mesmo espaço que as liga, tal como o mar, aqui na Terra, separa e liga os continentes.
Esse romance - «Le radeau de Pierre» - em que arranco a Península Ibérica à Europa, não seria necessário dizê-lo, é o efeito, talvez último, de um ressentimento histórico. Provavelmente, só um português poderia ter escrito tal livro. Mas o seu autor, este autor, declara que estaria pronto a fazer regressar do mar a errante jangada, depois de alguma coisa ter aprendido de vitalmente necessário durante a sua navegação, se a Europa, reconhecendo-se, de facto, incompleta sem a Península Ibérica, viesse a fazer pública confissão dos erros cometidos, das injustiças e dos desprezos com que durante tantos anos tratou dois povos a quem deve muito mais do que aquilo que tem querido reconhecer. Porque, enfim, se de mim se espera que ame a Europa como à minha própria mãe, o mínimo que devo exigir-lhe é que ame a todos os seus filhos por igual e, sobretudo, que por igual os respeite a todos." 
Texto publicado originalmente no jornal Libération

José Saramago "O caos é uma ordem por decifrar"


José Saramago e José Santa-Bárbara

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

"O convento de Mafra está habitado pelo espírito de Saramago" via DN por João Céu e Silva (02/01/2017)

"O convento de Mafra está habitado pelo espírito de Saramago"
via DN por João Céu e Silva (02/01/2017)

Pode ser consultada e recuperada aqui
em https://www.dn.pt/artes/interior/o-convento-de-mafra-esta-habitado-pelo-espirito-de-saramago-5581060.html

"Pilar del Rio junto ao Convento de Mafra" - Gustavo Bom/Global Imagens

"Pilar del Rio foi a Mafra com o DN e recorda a construção do romance Memorial do Convento a partir das histórias que o escritor lhe contou

Maria Madalena Bárbara Xavier Leonor Teresa Antónia Josefa foi razão pela qual em Mafra se erigiu um convento de dimensões tão exageradas que só a megalomania do rei D. João V, o falso voto de pobreza dos Franciscanos, a ausência de sucessão dinástica nacional e o ouro vindo do Brasil justificaram.

Mafra não ficava assim tão distante da capital do reino: 25 quilómetros. Mas o edifício que ali se iria fazer crescer era uma coisa nunca vista. Que começa por ser pequeno, apenas para 13 frades franciscanos, número que foi engordando para 40 frades, depois 80 e fechou-se o negócio entre a Ordem e o monarca com lugar para 330 hóspedes religiosos.

Os ecos das vozes de quem construiu o convento mantém-se nas compridas alas, salas, capelas e inúmeras divisões desde que há trezentos anos foi posta a primeira pedra no local, no dia 17 de novembro de 1717. Nos treze anos seguintes, 52 mil trabalhadores fizeram as fundações, subiram os pilares e cobriram a imensa área com tetos de todos os géneros, estando a basílica pronta para ser consagrada no dia do 41º aniversário de D. João V e com festa rija durante toda a semana seguinte.

Apesar de tão desejada, a herdeira do reino, Maria Madalena Bárbara Xavier Leonor Teresa Antónia Josefa nunca conheceu a magnífica obra de Mafra. Casou com o futuro rei espanhol, D. Fernando VI, levando consigo o músico italiano Domenico Scarlatti, que fora contratado para educar a princesa.

Quem for ao Convento de Mafra hoje em dia também não deixará de ouvir esses ecos que replicam tudo o que se passou desde então entre aquelas paredes três vezes centenárias porque o edifício foi tendo várias vidas além da dos franciscanos, sendo a última a presença etérea e constante provocada pelas personagens do romance de José Saramago, o Memorial do Convento. E esses ecos que vêm de uma sala ao fim de seis lances de escadas tornam-se cada vez mais reais conforme o visitante se aproxima do antigo solário onde os frades se banhavam ao sol, porque ali está a decorrer uma representação teatral que condensa esta obra do Prémio Nobel da Literatura.

Gustavo Bom/Global Imagens

Algumas dezenas de jovens - os que hoje dominam a plateia - escutam atentos a dramatização do Memorial do Convento e absorvem as grandes linhas históricas dos acontecimentos. Há olhares de cumplicidade entre uns e outros quando se escutam as falas dos dois camareiros que recordam as dificuldades da rainha em engravidar, uma deixas brejeiras qb; surpreendem-se quando veem a passarola do padre Bartolomeu de Gusmão voar, e apreendem os mistérios de uma das principais personagens femininas inventadas por Saramago: Blimunda.

Estampa antiga onde se pode ver o Palácio Nacional de Mafra há mais de um século

Também percebem que o escritor não descreve a princesa como nos contos de fadas, pois esta tem cara de lua cheia e é bexigosa.

Nem o rei sai bem desta ficção em que o autor pretende mostrar o estatuto da aristocracia e do alto clero em contraponto ao do povo e dos oprimidos. Os alunos identificam-se com a peça e saem do Convento com outra opinião sobre o romance. Diogo gostou, principalmente porque o está a ler e compreendeu melhor a narrativa; Raquel ficou "com vontade de ler o livro". A responsável por estas representações, Filomena Real, já tinha avisado desta boa receção por parte das escolas que vêm de autocarro desde Bragança, por exemplo, para as duas sessões diárias: "Há dez anos que fazemos as representações e eles gostam, tal como os adultos que visitam o Convento."

Estas representações do grupo teatral Éter não acontecem apenas no Convento de Mafra, também as há na Fundação José Saramago, um local onde os atores da companhia ficam mesmo entre os visitantes da Casa dos Bicos.

Um gancho em vez da mão

Entre os personagens de o Memorial do Convento está Baltazar Sete-Sóis, que surge com a mão esquerda escondida por "um gancho de ferro que lhe havia de fazer as vezes da mão". É como Saramago o descreve ainda não vai à página 50, sendo que uma dúzia de páginas à frente surge Blimunda, aquela que de manhã é obrigada "a comer pão, de olhos fechados" para não ver o que se passa no interior de Baltazar.

No ano em que se cumprem 35 anos do lançamento do romance, Pilar del Río, a viúva de José Saramago, recorda a sensação que teve ao confrontar-se com a sua leitura: "Foi o primeiro que li dele e achei muito curioso que se intitulasse Memorial do Convento. Li a primeira página numa livraria, onde estava com quatro amigas. Gostei logo tanto que comprei quatro exemplares para lhes oferecer. Depois de acabar de ler, voltei à livraria e pedi todos os outros livros do autor. Todos, era apenas O Ano da Morte de Ricardo Reis. Quando terminei de o ler o segundo, senti-me obrigada a vir a Lisboa por causa do meu deslumbramento perante o Memorial."

O que contribuiu para esse deslumbramento, pergunta-se a Pilar del Río: "O que me impressionou foi o facto de ser uma leitura tão moderna e contemporânea da História e do comportamento dos homens e das mulheres." Lembra-se de que enquanto o ia lendo parava a cada duas páginas: "Queria convencer-me de que estava a ler um autor contemporâneo. Nunca tinha ouvido falar de Saramago, não sabia quem ele era! Mas dizia para mim: isto está escrito num registo que é clássico, sublime, no entanto, é de um autor contemporâneo. Ia lendo e dizia: não, ele não é deste tempo, isto é uma leitura progressista e contemporânea da História. Por isso, li este livro num estado de exaltação."

Foi então que pediu para se encontrar com o autor: "Queria agradecer-lhe ter escrito o livro. Perguntei se podíamos tomar um café, disse-lhe que era jornalista mas vinha sem intenção de o entrevistar. Sabia de antemão que logo que o conhecesse iria querer escrever sobre ele, mas dessa vez nem gravador trouxe. O interesse era ter a perceção direta de como era o autor."

Para Pilar del Río este não é o livro mais político de José Saramago. "Livros políticos não lhe faltam", diz, e dá exemplos: Ensaio sobre a Cegueira, Caim, Evangelho segundo Jesus Cristo... "Os livros são todos políticos, este é um livro de uma beleza extraordinária, sobre o qual Saramago disse depois que estava a descrever a estátua, tal como no Evangelho, mas a partir do Ensaio sobre a Cegueira sentiu que já não queria descrever a estátua mas a pedra da qual é feita", explica.

Quanto à grande presença da religião em o Memorial, refere: "Está sempre presente na obra de Saramago, porque também o está em todos os seres humanos - sejam ou não crentes. Também existe em Levantado do Chão ou em Intermitências da Morte, quando a Igreja não quer que as pessoas sejam eternas para não deixar de ter sentido."

A história da escrita do Memorial do Convento começa com uma visita a Mafra do escritor, onde confessa aos amigos que o acompanhavam [entre eles a anterior mulher do autor, Isabel da Nóbrega] que "gostaria de meter o Convento num livro". Será que o conseguiu, questiona-se: "E de que maneira! Mas foram os amigos, sempre muito insistentes, que o lembravam da promessa e lhe perguntavam: "Então, já meteste o Convento de Mafra num romance?" Saramago sentiu-se pressionado a escrever e ainda bem, porque o livro tem uma grande beleza."

Será que o convento é olhado de um outro modo após a publicação do romance em 1982? Pilar del Río é muito direta na resposta: "Ainda há dias vim cá com vários amigos espanhóis que não o conheciam e eles ficaram fascinados com a "presença" das personagens do romance que andavam pelo edifício, a Blimunda, Bartolomeu... Não há dúvida, este convento está habitado pelo espírito de Saramago."

Essas personagens não surgiram por acaso, como explica: "A música de Scarlati está no romance porque fazia parte da vida de Saramago." Recorda a leitura de um caderno de notas do escritor em que percebe a evolução das personagens: "Elas vão entrando no livro e Saramago, que queria colocar a contradição entre os nobres e o povo, vai notando a imposição de Blimunda. Porque ela não nasce com essas capacidades que vem a ter na narrativa. Tanto Blimunda como a Mulher do Médico [do Ensaio sobre a Cegueira] são duas grandes personagens femininas, que têm muito de parecido, que vão crescendo com a obra mas não faziam parte do projeto inicial naquela dimensão."

Após a enumeração de vários títulos do escritor, pergunta-se qual é o romance de Saramago de que mais gosta? "Tem dias, Cada dia gosto mais de um livro do que doutro e depende do estado de alma. Tendo muito a ir ao Evangelho, porque é um livro que tem reflexões muito sérias e que acompanha as pessoas que possam sentir determinadas ausências", diz. Depois de relidos há os que ficam lidos para sempre? "Não, leio-os por prazer e por obrigação. Acabei de ler a Jangada de Pedra por causa da montagem de uma peça no México. Li recentemente as Intermitências." E quando os relê compreende o livro de outra forma? "Sim, principalmente aqueles a que eu não assisti enquanto Saramago os escrevia. Quando leio aqueles a que acompanhei o processo de escrita, distraio-me a pensar nos acontecimentos desses dias: se tínhamos uma visita, se cozinhei certa coisa. Por isso, nesses primeiros livros, não tenho a distração de outros pensamentos, é só o livro."

No que respeita ao Memorial, Pilar del Río não deixa de recordar "os passeios a sós ou acompanhados por todas estas salas do convento. Ele não precisou de muitas horas a fazer consultas na biblioteca, mas tomava notas sobre como se vestiam as pessoas na época ou o que comiam. Coisas que poderiam ou não entrar no livro; e muitas outras que não precisava de saber. Também passeava por aqui para se aperceber da temperatura, se era frio ou quente, detalhes que não entravam no livro, mas de que precisava de se impregnar. Explicou-me onde vivia a família de Sete-Sóis, onde decorriam os trabalhos, o caminho por onde veio a pedra desde Pero Pinheiro." Terá sido o livro que exigiu mais investigação? Não, diz: "Os romances de Saramago exigiram sempre muita investigação."

Atuações populares

Quando os ecos da representação da peça terminam, o silêncio regressa ao convento de Mafra. Mas, em muitos locais do mundo, há atores a representar José Saramago. Segundo Pilar del Río, "neste momento A Barraca interpreta Ricardo Reis, no ano passado foi Claraboia; a Viagem do Elefante, a Ilha Desconhecida e o Memorial estão a ser representados quase todos os dias da semana. No dia 12 vai estrear o Homem Duplicado em Madrid, o Ensaio sobre a Cegueira está em Itália, nos EUA estão duas óperas e no México a Jangada de Pedra."

Cá fora do convento, há quem não tenha sido atriz na peça de Saramago, mas personagem em representações comemorativas deste património. É o caso de Clara Reis (1933) que já fez de ama da princesa e até trouxe a neta para ser uma das crianças: "Já trabalhei em várias recriações históricas, com fatos de época e perante muito público. Guardo com muito carinho as fotografias desses momentos."

"José Saramago, en sus palabras, de Fernando Gómez Aguilera" via "Libros Y Literatura" (28/12/2016)

A presente resenha pode ser recuperada e consultada aqui


"El paso del tiempo hace que todo se olvide y ponerse a pensar en que dentro de una o dos generaciones tras nuestra partida pocos se acordarán de nosotros, es entrar en un terreno del cual uno no puede menos que salir angustiado. Para ser recordados por largo tiempo, muchos seres humanos intentan sobresalir en diversas actividades; así, disfrutaremos de por vida la música de Beethoven, los cuadros de Picasso o los goles de Maradona. En todas las formas posibles del arte, los artistas buscan el paso a la eternidad. Saramago, para quienes lo leímos, lo leemos y lo leeremos, es y será inmortal, tal vez no porque haya buscado en vida esa eternidad, sino, sobre todo, por haber vivido y honrado la vida sin pensarla como un camino a transitar para llegar a lo que, dicen, viene después, sino por haberla transcurrido con una responsabilidad terrenal y cotidiana que lo llevó a comprometerse más allá de las cómodas quejas desde el sofá.

José Saramago en sus palabras es una recopilación de centenares de frases, pensamientos y declaraciones en la prensa que el Nobel de Literatura hizo desde la segunda mitad de los años setenta hasta comienzos de 2009. De esta manera, no solo podremos ir recorriendo su pensamiento a lo largo del tiempo, sino sobre todo confirmando algo que los que lo conocemos no necesitamos ratificar: su capacidad crítica, inteligencia, lucidez y libertad a la hora de decir lo que sentía, sin censuras y poniendo siempre el eje en la defensa de los excluidos y la reivindicación de los derechos humanos.

Fernando Gómez Aguilera, poeta, ensayista y filólogo, fue el encargado de recolectar las palabras del genio portugués y es digno de destacar su trabajo, que, a lo largo de más de 500 páginas, nos ofrece un panorama completo acerca de los valores éticos de Saramago. El libro en sí, está estructurado en tres grandes capítulos (Quien se llama Saramago, Por el hecho de ser escritor y El ciudadano que soy) que a su vez se dividen en decenas de temas que abarcan todo el mundo opinable del autor, entre los que podemos destacar los dedicados a Dios, el pesimismo, la muerte, la literatura, la historia, el comunismo, Europa o Sudamérica.

Particularmente, no pude despegarme del libro en el apartado “novela” en el que se recopilan todas las declaraciones de Saramago sobre los diferentes libros que fue publicando y que me permitieron descubrir muchos datos no conocidos sobre el “detrás de escena” de la creación de sus publicaciones. “Lanzarote”, donde cuenta su relación con esa isla española en la que residió hasta el final de sus días, es también muy interesante, porque narran el dolor que le causó tener que dejar su país, pero al mismo tiempo el hecho de, a una edad avanzada, encontrar un lugar en el mundo y volver, de alguna manera, a comenzar.



Disfruté del libro tanto como sus mejores novelas y a medida que iba leyéndolo, reconocía una vez más que la línea entre escritor y ciudadano, en Saramago, no existió nunca, ya que en la vida no ficcionada mantenía los mismos valores y el mismo compromiso con el mundo que, en forma de parábolas, mostraba en sus grandes éxitos literarios.

Recomiendo Saramago en sus palabras a todos aquellos lectores del mundo que, al menos, haya leído cinco o seis de sus novelas, ya que este libro actuará como un excelente complemento para su obra literaria y al mismo tiempo como un buen compendio de su enorme y eterna sabiduría."

"Projeto de leitura: 1 ano com Saramago" apresentado por Tânia Ardito do blog "Corpo de Escrita"

Fazemos aqui divulgação de um projecto de leitura sobre a obra de José Saramago e sua temática reflexiva.

O "Projeto de leitura: 1 ano com Saramago" pode ser consultado aqui
em https://corpodaescritablog.wordpress.com/projeto-de-leitura-1-ano-com-saramago/



A mentora do projecto, Tânia Ardito, deixa no seu post as principais directivas.
Parece apaixonante!
Será uma viagem a sério, e os leitores saramaguianos poderão aproveitar para revisitar entre tantos outros, Salomão e o cornaca Subhru; a Lídia; o inevitável Caim; os mistérios de Blimunda e Baltasar; a mulher do médico e o cão das lágrimas; Pessoa que esgota aos seus últimos 9 meses; Artur Paz Semedo; a morte e seu desafiador violoncelista; o presidente da câmara; Tertuliano Máximo Afonso e o experimentalismo com os outros "eus" por descobrir; Mogueime e Ouruana; o confronto de gerações dos Mau-Tempo com os "Bertos"; Cipriano Algor e por fim o melancólico senhor José.

Aqui fica a menção!

"Olá,

Finalmente de volta ao blog! Estive afastada por excesso de trabalho, mas estou de volta e por um bom motivo;  anunciar o Projeto de Leitura: 1 ano com Saramago.

Os meus amigos e os frequentadores do espaço cultural, que gerencio, já estão a par do projeto,  anunciado no dia 4 de novembro.

A proposta é homenagear e lembrar os 20 anos da atribuição do Prêmio Nobel a José Saramago, com início em novembro de 2017 e término previsto para o dia 16 de novembro de 2018 (data do aniversário do escritor).

Além da leitura, resenha e diário do projeto, também estou organizando eventos sobre o tema na Casa Subversa, que é o espaço da Revista Subversa na cidade do Porto, Portugal.

Quando anunciei o projeto, estava presente a Danielle do instragam Leitura Azul e do blog Cantinho de Tudo e ela topou participar do desafio 🙂 Abaixo, deixo a lista dos livros escolhidos para leitura ao longo do ano.

MÊS                         LIVRO
NOVEMBRO/2017 A Viagem do Elefante
DEZEMBRO/2017 Claraboia
JANEIRO/2018         Caim
FEVEREIRO/2018 Memorial do Convento
MARÇO/2018         Ensaio Sobre a Cegueira
ABRIL/2018    Alabardas, alabardas, Espingardas, espingardas / O ano da morte de Ricardo Reis
MAIO/2018                As Intermitências da Morte
JUNHO/2018               Ensaio Sobre a Lucidez
JULHO/2018               O Homem Duplicado
AGOSTO/2018      História do Cerco de Lisboa
SETEMBRO/2018      Levantando do Chão
OUTUBRO/2018      A Caverna
NOVEMBRO/2018     Todos os Nomes


Para quem quiser acompanhar o desenvolvimento, além do update aqui no blog, também poderá ter mais notícias através do instagram @corpodaescrita e se estiver pela cidade do Porto, ir aos eventos da Casa Subversa e ver os registros do diário que ficará disponível ao público.

Update: Deixo aqui a explicação de como participar 🙂

O projeto de leitura, consiste em acompanhar a lista de leitura e postar comentários com a #1anocomsaramago. Poderá partilhar através do Instragam, Twitter, ou Facebook. A postagem precisa ser pública para todos verem. Todos os comentários eu irei anotar no diário de leitura, que tentarei disponibilizar ao público quando o projeto chegar ao fim. Poderá também fazer os comentários no blog Corpo da Escrita
Poderá acompanhar tudo através da nossa página do Facebook: Corpo da Escrita ou do instragram @corpodaescrita
Caso for do Porto, poderá participar dos eventos e Clube de leitura ao longo do ano. Caso não morar na cidade, irei informar quando os eventos forem realizados em outras localidades."


“A Viagem do Elefante. De la novela al juego." Projecto da COMTECART (Via Cátedra Saramago - II Jornadas Internacionais José Saramago da Universidade de Vigo)

Novidades da 1.ª Comunicação das II Jornadas Internacionais José Saramago

Projecto da COMTECART
Foi apresentado o que será um jogo para ser jogado em plataformas digitais baseado na 
obra de José Saramago “A Viagem do Elefante"

Aqui mais informação sobre os trabalhos da 1ª Comunicação das II Jornadas

"A primeira comunicação nas II Jornadas Internacionais José Saramago, oferecida por estudantes de Comunicação Audiovisual e Engenharia de Telecomunicação da Universidade de Vigo, terá lugar na segunda-feira, dia 4 de dezembro, às 15h30 na Casa das Campás e tem como título

“A Viagem do Elefante. De la novela al juego. 
Viaje a través de las fronteras de distintas disciplinas académicas”

A partir das 16h15, realizar-se-á uma visita guiada na Sala de Informática da Casa das Campás, onde o grupo ComTecArt preparou uma exposição dos vários videojogos realizados a partir de A Viagem do Elefante de José Saramago.

Resumo

El Columbograma de Duarte, Hard Trip, Proyecto Elefante, La MuuHeredera, son los nombres bajo los cuáles alumnos de Comunicación Audiovisual e Ingeniería de Telecomunicación de la Universidade de Vigo están desarrollando los proyectos de videojuegos que están inspirados en fragmentos de la novela A Viagem do Elefante de José Saramago. Un proyecto apasionante a través del cual se intenta replicar en el seno universitario la forma de funcionar y trabajar en la industria del entretenimiento digital actual. La tecnología ha promovido la digitalización y esta conlleva un cambio en el paradigma creador y en la forma de desarrollar los contenidos. Los equipos son multidisciplinares y están integrados en por perfiles de profesionales cuya formación es totalmente estanca. Esta estanqueidad es la que se quiere romper a través de este proyecto impulsado por el Grupo de Innovación Docente ComTecArt. Donde docentes de las áreas Comunicación Audiovisual, Ingeniería de Telecomunicación y Bellas Artes, quieren romper las fronteras entre estas áreas.

Grupo de Inovação Docente ComTecArt da Universidade de Vigo: Beatriz Legerén, Antonio Pena, Kike Costa e Mónica Valderrama são os docentes que participam. Mais informação em comtecart.blogspot.com.




"¿Qué es ComTecArt?
ComTecArt (Comunicación, Tecnología y Arte) nace como una innovación docente para combinar distintas titulaciones de la Universidad de Vigo: Ciencias sociales (Publicidad y Comunicación Audiovisual), Telecomunicaciones y Bellas Artes.

El primer proyecto, realizado ahora mismo por 30 alumnos de Ingeniería de telecomunicaciones y Comunicación audiovisual, consiste en la realización de un videojuego a través de las palabras del libro El viaje del elefante, obra del portugués José Saramago. Se trata de un trabajo conjunto entre tres grupos de 6 personas y uno de 4, mezclando alumnos de las dos titulaciones para crear, por un lado, la parte artística y, por el otro, la técnica. Estos grupos de trabajo se reúnen cada miércoles, alternando las facultades de Vigo y Pontevedra. 

“A iniciativa xurdiu francamente por casualidade”, relata Beatriz Legerén, profesora en la titulación de Comunicación Audiovisual, en la reciente entrevista para la radio Escaparate (radio de la Universidad de Vigo). El motivo por el que se ha escogido este autor ha sido porque “moitos xogos teñen que ver con viaxes e coa superación de obstáculos”, tal y como es la temática del libro. 

Cada grupo de trabajo (bajo los nombres de Amixogos, Cavitel, Adage studios y Gamestorming studios), tiene su propio proyecto de videojuego partiendo cada uno de un fragmento distinto de El viaje del elefante, de modo que hay cuatro videojuegos totalmente diferentes en cuanto a temática, personajes y diseño. 

Reunión tras reunión, los proyectos van cogiendo su forma. Dentro de poco os presentaremos los distintos grupos de trabajo, para que conozcáis quiénes están detrás de todo esto. 

¡Hasta más ver!"





Azinhaga Golegã

José Saramago
Fotografia de infância

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Juan Cruz da TVCanariados entrevista José Saramago (06/2000)

"Esta es la entrevista que realizó el periodista Juan Cruz al escritor portugués José Saramago
en el mes de junio de 2000, en su casa de Lanzarote."

José Saramago (entrevista, primera parte)

José Saramago (entrevista, segunda parte)

José Saramago (entrevista, tercera parte)

José Saramago (entrevista, cuarta parte)

José Saramago (entrevista, quinta parte)

De Miguel Koleff "EL PERRO DE LAS LÁGRIMAS y otros ensayos de Literaturas Lusófonas" Ferreyra Editor e Facultad de Lenguas (da UNC Universidad Nacional de Córdoba) 2017

De Miguel Koleff 
"EL PERRO DE LAS LÁGRIMAS y otros ensayos de Literaturas Lusófonas" 
Ferreyra Editor e Facultad de Lenguas (da UNC Universidad Nacional de Córdoba) 2017

(...) el escrito titulado El perro de las lágrimas, que se interroga acerca de lo que determina la humanidad de un ser vivo." (...) 
página 13 do Prólogo (de Marisa Leonor Piehl - Cátedra Libre José Saramago)

Se destaca o capítulo "José Saramago"
Carne Cruda, p57
El voto en blanco, p60
El perro de las lágrimas, p64
Las fieras, p67
Piedad de léon, p71
Corpus, p75

Um abraço ao amigo Miguel Koleff cujo trabalho sobre as literaturas e "letras do mundo" é de um enorme prazer poder acompanhar mesmo que com um oceano por meio.